Wednesday, May 05, 2004

Faz horas que eu venho me dando conta da quantidade de conselhos que venho recebendo. Acho isso maravilhoso. Em nenhum momento me senti invadido, tampouco senti como se estivessem metendo o bedelho. Tô aqui mesmo é pra ouvir, absorver, aprender e tirar minhas próprias conclusões. Confidencio minhas angústias a quem sinto merecer a confiança. Recebo avisos, conselhos relatos de experiências de vida de vários. Não vejo isso como pessoas "se metendo". Sempre que me perguntam: "Como tu tá?" com preocupação e atenção misturada no semblante, meu cérebro interpreta: "Cara, tô aí pra o que tu precisar."

No meu discurso de formatura (se é que dá pra chamar aquilo de discurso), tentei ressaltar isso. No dia anterior à cerimônia, uma das minhas tias que viajou 600 quilômetros por minha causa me confidenciou ter gasto inúmeras horas pensando no presente ideal. Pronto. Poderia ter parado por ali que aquela frase sozinha já era o presente ideal. Não nos damos conta a quantidade de pessoas preocupadas com a nossa felicidade, com o nosso bem-estar. Pensar nisso de vez em quando proporciona conforto.

Mas tem horas na vida que esquecemos de sentir isso por nós mesmos e temos que adentrar em momentos introspectivos. E por mais que precisemos dos ombros dos amigos, também precisamos que eles entendam esses momentos e respeitem algumas falhas, decisões e atitudes isolacionistas. Às vezes precisamos nos sentir sozinhos pra rever posicionamentos e posturas de vida.

Me identifiquei demais com o texto que um ex-colega de faculdade postou no blog dele. Recomendo a leitura na íntegra, mas vai aí um trecho:

"(...) Eu quero muito saber como anda a vida dos meus amigos. Quero saber das coisas que eles sentiriam constragimento em me contar, mas que precisam contar pra alguém. Que me liguem dizendo "tá foda" ou "tu não vai acreditar na coisa ducaralho que me aconteceu" (...) e é esse tipo de coisa que costumava acontecer com os meus melhores amigos, numa época quando não havia Orkut e quando ficar gastando saliva num deboche constante e vazio do mundo era menos interessante do que trocar idéias rasas e deslumbradas sobre autores existencialistas, quando conversar sobre mulheres tinha outro sabor, com mais medo e fascínio e menos sensualismo agressivo. Meus melhores amigos não deixaram de ser meus melhores amigos, mas é como se a essência dessa amizade estivesse temporariamente engessada. Mas sei que o gesso nunca vai quebrar enquanto existir qualquer crença de que a solução pras nossas necessidades de desabafo e comunicação (com o alívio que apenas a comunicação plena estabelece) está no embotamento dos sentidos, como se um planeta inteiro de seres humanos embriagados e alucinantes fosse se fundir num ser único, onde todas as angústias se neutralizariam. (...)"